Saúde mental dos colaboradores em época de pandemia

Ansiedade, depressão e medo de desemprego são evidenciados por conta do coronavírus; transparência e diálogo ajudam equipes de trabalho

Medo, ansiedade e insegurança: estas palavras traduzem o sentimento dos brasileiros em relação à pandemia da Covid-19 e os potenciais impactos econômicos. É o que confirma pesquisa realizada pela Pulses, plataforma de clima, engajamento e performance, com a intenção de apoiar as empresas e acolher os colaboradores neste momento.

No levantamento recém-concluído foram entrevistados 17.854 homens e mulheres de todas as regiões do país, contemplando 179 empresas de diversos portes. Segundo os dados, o receio de corte de salário associado à cobrança por produtividade e os medos comuns da pandemia são fatores que têm abalado as equipes.

Medo é, de longe, a palavra mais citada como sentimento que revela o estado mental diante do coronavírus. A pandemia trouxe uma situação nova, fazendo com que as pessoas precisem se adaptar a uma rotina diferenciada: trabalho remoto, crianças em casa, distanciamento social, receio de demissão e o medo da doença são alguns pontos levantados pela psicóloga Juciane Moreno Crispim.

Por se tratar de uma situação atípica, com perdas econômicas, emocionais e físicas, o aumento dos transtornos emocionais vai acontecer. “A doença mental já vinha fazendo parte das  oenças que mais ocorrem e com a pandemia e a pós-pandemia, esses números devem crescer bastante”, estima.

Segundo ela, é importante perceber aquilo que temos controle e o que não temos. “Diante de uma crise, naturalmente vêm o medo e a insegurança quanto ao trabalho, ao manter o  rendimento e sustentação econômica. Para sobreviver, o que não podemos é ficar parados. Temos que correr atrás, nos reinventar e investir no lado profissional”, diz.

MAIS ANSIOSO DO MUNDO

Uma pesquisa divulgada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2019, aponta que o Brasil é o país mais ansioso do mundo, com 18 milhões de impactados, ou seja, 9,3% da população convivem com o transtorno.

Compreender os gatilhos que levam uma pessoa à ansiedade fica ainda mais fácil durante uma pandemia, por haver mudanças indesejadas e inesperadas de rotina, aliados a medos e incertezas. Para evitar crises de ansiedade, Juciane aconselha atividades relaxantes, como meditação, ioga, exercício em casa, leitura e a procura de um especialista se a mente não estiver dando conta. “Hoje profissionais da psicologia podem atender a distância”, reforça.

A doença mental já vinha fazendo parte das doenças que mais ocorrem, e com a pandemia e a pós-pandemia, esses números devem crescer – Juciane Crispim

COMUNICAÇÃO TRANSPARENTE

Mas as empresas podem contribuir para amenizar os problemas, e aí entra um fator importante, a transparência. Os colaboradores ficam mais tranquilos dependendo do modo com que os chefes se relacionam com os funcionários.

A pressão pela produtividade ao lado das notícias sobre o coronavírus e o distanciamento social geram um ambiente de angústia quando não existe clareza na empresa. Segundo a psicóloga organizacional Isla Gonçalves, que é instrutora do Centro de Treinamento da ACIM, o gestor está enfrentando uma equipe acuada e com medo, por isso, o posicionamento nunca foi tão importante. Pegar a equipe de surpresa cria a cultura do medo e eleva os níveis de ansiedade. A dica dela é que seja em trabalho remoto ou presencial, é preciso garantir espaço para o diálogo e para saber das ansiedades dos colaboradores.

“É preciso transmitir segurança e transparência em dizer qual o verdadeiro momento da empresa e como ela está se posicionando diante da crise”, afirma. “É preciso estar disponível para a ação e repensar todas as possibilidades e o que pode ser feito diante delas. Pensar na maneira com que podemos caminhar neste momento”, completa.

Para Isla, o medo não pertence somente ao colaborador, mas ao empresário. “Esse sentimento de ‘estamos juntos’ é muito importante para a ansiedade diminuir”, explica. E como a pandemia impactou o cotidiano de quase todo mundo, o que não pode é ficar preso ao medo, sentindo-se impotente e angustiado o tempo todo, porque isso faz cair a produtividade.

Com relação à perspectiva no mundo organizacional, Isla é categórica: otimismo. Para ela, os empresários estão aprendendo a importância da gestão de pessoas e a visão do outro, o que trará ganhos. Se antes o empresário não pensava em dividir informações com os colaboradores, hoje isso já faz parte dos valores da organização e da estratégia de gestão.

EQUIPE UNIDA

E a transparência foi justamente a medida adotada pela Mota Autoelétrica: a empresa precisou fechar as portas por sete dias após duas pessoas serem diagnosticadas com Covid-19.

O empresário Sérgio Mota não teve dúvidas na hora de fechar temporariamente. “Muitas pessoas disseram que me precipitei, mas a verdade é que não pensei duas vezes, justamente por me preocupar com a equipe e com os clientes”, afirma.

A esposa dele, responsável pelas finanças, foi a primeira a ser diagnosticada com o vírus. “No dia seguinte, mesmo sem os exames conclusivos, informei os colaboradores que ela estava em isolamento. Não queria que eles soubessem por outras pessoas e muito menos que isso gerasse pânico”, relata Mota.

Sérgio Mota, da Mota Autoelétrica, foi transparente com a equipe e clientes após duas pessoas serem diagnosticadas com Covid; empresa fechou por 7 dias e reforçou medidas de proteção

Após o comunicado, outro funcionário fez teste por ter uma filha no grupo de risco, e o resultado foi positivo. “Depois todos os colaboradores e familiares fizeram e ninguém mais testou positivo.”

O empresário não escondeu a situação: informou o porquê da paralisação dos trabalhos por meio de redes sociais, instalou aviso na porta da empresa e gravou mensagem na secretária  eletrônica. “Em nenhum momento me arrependo da transparência”, diz.

Durante a semana fechada, a empresa passou por desinfecção, e desde então em todos os carros de clientes estão sendo colocadas capas no banco, volante e câmbio, além de serem higienizadas a chave e a maçaneta. “Queremos realmente a segurança de todos”, afirma Mota.

COMO LIDAR COM EPISÓDIOS DE ANSIEDADE

Respire com o diafragma

Quando começar a se sentir inquieto, agitado e com o batimento cardíaco acelerado, coloque as mãos na barriga, puxe o ar pelo nariz inflando a barriga como um balão, e solte o ar pela boca lentamente. Repita o processo de uma a dez vezes

Respire dentro de um saco de papel

Você deve ter visto essa cena em filmes, e acredite, funciona de verdade. Isso acontece porque quando ficamos ansiosos, respiramos muito mais rápido e de forma curta. Isso provoca taquicardia e tontura. Quando se respira dentro de um saco de papel, o gás carbônico equilibra os níveis de oxigênio do corpo

Faça uma lista com todas as preocupações

Coloque em um papel todas as preocupações e classifique entre as que dependem de você e as que não dependem. Você terá uma visão muito mais ampla de todas as questões.

Fonte: Psicóloga Juciane Moreno Crispim

COMO SE COMUNICAR COM O COLABORADOR?

Lives

Crie lives com profissionais da psicologia para abordar estratégias para controlar a ansiedade em tempos de pandemia

Manual sobre grupos de risco

Produza conteúdo sobre os cuidados para quem faz parte dos grupos de risco e distribua aos colaboradores

Informe da diretoria

Divulgue semanalmente uma mensagem on-line rápida do empresário atualizando os colaboradores sobre os negócios e posicionamento da empresa durante a crise

Mural de comunicados

É uma estratégia simples e que faz toda a diferença. Crie um canal para comunicados sobre as diretrizes da empresa em relação ao coronavírus. Assim, todos ficam sabendo quais ações a empresa tem tomado.

Fonte: Plataforma Pulses

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