Comunicação abre portas e gera negócios

Competência que pode ser desenvolvida, comunicação precisa ter clareza, propósito, treinamento e deve transmitir credibilidade; confira as dicas de especialistas

Comunicação precisa equilibrar emoção, credibilidade e lógica; “o objetivo não é apenas ser ouvido, é ser lembrado e gerar ação”, diz a jornalista Dani Mendes

Em meio a produtos e serviços que se multiplicam, a comunicação surge como o elo entre o que o empreendedor oferece e o que o cliente realmente percebe. Falar bem, se apresentar com confiança e transmitir clareza e propósito não são apenas habilidades desejáveis, são estratégias de sobrevivência.

A jornalista e mentora Dani Mendes diz que comunicação é muito mais do que falar. “É quando as ideias ganham forma, os negócios ganham voz e as pessoas ganham confiança”, resume. “Quem domina a comunicação, domina oportunidades. Quem se comunica com clareza e propósito conquista clientes, parceiros e credibilidade”, afirma ela, que trabalhou por 25 anos na área da Comunicação, transformou a trajetória em método e publicou o livro “Ouse Comunicar”. 

Para Dani, um dos maiores erros cometidos por empreendedores é “falar sem intenção, sem conexão e sem clareza”. Muitos, segundo a jornalista, acreditam que improviso é sinônimo de autenticidade. “Quando o empreendedor não sabe o que deseja que o cliente sinta, pense e espere, a comunicação perde poder.”

A diferença entre uma fala “boa” e uma fala “eficaz”, diz Dani, está na intencionalidade. “Uma fala boa agrada. Uma fala eficaz move.” Ela explica que a comunicação com resultados precisa equilibrar emoção, credibilidade e lógica. “Esse tripé da persuasão é o que Aristóteles já ensinava. O objetivo não é apenas ser ouvido, é ser lembrado e gerar ação.”

 

Conexão e resultado

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“O empreendedor precisa saber o que quer extrair daquele momento. Isso muda a abordagem, o tom e o foco da fala”, afirma Stefane Teixeira

Nos bastidores das rodadas de negócios e das capacitações promovidas pela Acim, a boa comunicação é percebida em cada detalhe. A coordenadora de Produtos e Serviços da entidade, Stefane Teixeira, é responsável por orientar empresários que participam das oficinas e eventos do Inovus, o programa de fomento à inovação.

Ela explica que o Pitch Lab, uma das ações do programa, tem o objetivo de “ajudar empreendedores a falar melhor sobre seus produtos e serviços, com confiança e credibilidade”. A dinâmica, segundo Stefane, inclui gravações em vídeo, ensaios e orientações para que o empresário chegue às rodadas de negócio preparado. “O pitch é um exercício de intencionalidade. É algo trabalhado, ensaiado, mas que deve soar natural. Quanto mais o empresário treina, mais natural fica e mais credibilidade transmite.”

Stefane observa que a falta de preparo é um obstáculo comum. “Alguns empresários trazem informações irrelevantes, como histórias pessoais ou a origem da empresa, e perdem tempo precioso sem falar do que realmente importa: produto, serviço, diferenciais e proposta de valor.” Por isso, ela reforça a importância do roteiro e da prática. “É essencial saber o que dizer, com que objetivo e para quem. E tão importante quanto isso são a postura corporal, o tom de voz e a clareza na fala. Estudos mostram que a primeira impressão se forma em segundos e pode definir se alguém vai querer ouvir você até o final.”

A especialista também ressalta o poder da intencionalidade. “Antes de qualquer apresentação, o empreendedor precisa saber o que quer extrair daquele momento: conhecer empresários, consolidar sua marca ou buscar parcerias. Isso muda a abordagem, o tom e o foco da fala.”

O resultado, segundo Stefane, aparece não apenas em negócios, mas no fortalecimento da rede de contatos. “Muitos associados fecham parcerias expressivas. Tivemos casos recentes de contratos de mais de R$ 70 mil firmados a partir das rodadas de negócios. Isso mostra que a comunicação bem trabalhada abre portas.”

 

Vender com propósito

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“No WhatsApp, a objetividade é fundamental. No Instagram, o visual e as histórias contam mais”, diz Vitor Ciriaco, da Dezvenda

Na outra ponta desse processo está o especialista Vitor Ciriaco, da Dezvenda, que atua na formação de vendedores e na educação comercial. “Comunicar melhor significa vender mais”, resume.

Para Ciriaco, a diferença entre comunicar e vender está na intencionalidade. “Vender é uma ciência, comunicar é uma arte. A comunicação cria conexão e compreensão, enquanto a venda transforma essa conexão em valor comercial concreto. Uma existe para servir à outra.”

Ele defende que clareza e autenticidade são ativos valiosos. “Negócios são sobre pessoas. A venda começa com conexão, não com produto. E a ferramenta para criar essa conexão é a comunicação.” A clareza, diz ele, elimina ruídos e reduz objeções. “Empresas que se comunicam de forma clara têm 47% mais chances de superar as metas de vendas, segundo a Harvard Business Review.”

Na prática, essa clareza é o que diferencia uma empresa. “Em tempos de excesso de oferta, a comunicação impactante é o que gera diferenciação. Ela dá exclusividade e valor à marca. O cliente quer se sentir especial e se relacionar com empresas que também são únicas.”

Segundo o especialista, o erro mais comum é acreditar que comunicar é apenas transmitir informações. “Os três erros fatais são falar de si antes de entender o outro, usar linguagem técnica demais ou genérica demais, e prometer o que não pode entregar. A comunicação inflacionada quebra a confiança e, sem confiança, nem o melhor produto salva uma venda.”

Para o ambiente digital, Ciriaco defende uma linguagem humana e transparente. “Depois de anos de conteúdos forçados, o consumidor quer ver a verdade. Quer saber quem está por trás da marca, quer autenticidade. A vulnerabilidade também conecta.”

Ele destaca que o sucesso da comunicação está em adaptar o discurso conforme o público e o canal. “No presencial, o corpo fala. No WhatsApp, a objetividade é fundamental. No Instagram, o visual e as histórias contam mais.”

 

Comunicar com poder

Os três especialistas concordam que a comunicação é uma competência treinável, e qualquer empreendedor pode desenvolvê-la. Dani Mendes reforça que técnica e autenticidade devem caminhar juntas. “A técnica é o caminho; a autenticidade é o combustível. O equilíbrio está em ser natural, mas não amador; profissional, mas não robótico.”

Ela lembra que a confiança vem da coerência entre o que se fala, como se fala e o que se entrega. “Quem acredita no que fala, transmite. E quem transmite com verdade, convence.”

Stefane complementa: “a forma como o empreendedor se comunica pode tirar seu negócio da insistência e levá-lo a uma posição competitiva. Venda é relacionamento, e a comunicação é o caminho para estabelecer esse vínculo.”

Ciriaco fecha a reflexão com um lembrete. “Autenticidade não significa informalidade. A melhor comunicação é aquela que parece uma conversa entre especialista e cliente, onde ambos saem ganhando.”

No fim das contas, comunicar bem é muito mais do que falar, é entender o outro, expressar o propósito e transformar a mensagem em resultado. E, como mostram os especialistas, isso não é um dom reservado a poucos, mas uma habilidade que se constrói com intenção, prática e verdade.

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