A saga das empresas que, há décadas, se reinventam

Os associados mais longevos da entidade têm uma característica em comum: nasceram do sonho e da união de famílias ou pessoas que juntas foram – e são – criativas e resilientes

FA Maringá tem o mesmo CNPJ desde 1964: “muitos pais entendem que a sucessão é o filho continuar o negócio. Para mim, a sucessão é manter a cultura empreendedora”, diz Luís Fernando Ferraz

Na família Ferraz, fundadora da F.A. Maringá, uma das mais antigas empresas associadas à ACIM, o espírito empreendedor atravessa oceano e gerações. O patriarca José Nunes da Silva Ferraz, um empreendedor nato, foi dono de táxis, serraria e formou-se caixeiro viajante do outro lado do Atlântico, em Portugal. A mulher dele, Maria Emília, era habilidosa em retocar fotografias e reforçava o orçamento da família.

Dois dos filhos de Nunes, Mário e Fernando Ferraz, educados nesse ambiente empreendedor, fundaram em 1964 a Fábrica de Acolchoados Maringá. 

A primeira sede, na avenida Tuiuti, começou com dez funcionários, uma máquina de costura reta e três ou quatro fardos de algodão. Até hoje a empresa tem o mesmo CNPJ, mas nele estão abrigados outros empreendimentos de sucesso: a atacadista BandFashion; a Convicto, indústria de moda masculina; e a Emcompre, o braço de e-commerce da F.A. Maringá; com, ao todo, 800 colaboradores. 

Para chegar aqui foram décadas de trabalho, dedicação e inovação. Exemplos não faltam: para vencer a sazonalidade dos acolchoados, a fábrica passou a produzir travesseiros populares; bem antes dos concorrentes, implantou sistema de facção; e tecnologias modernas foram logo incorporadas, como a máquina automática para prensa e desfiadeira de retalhos.

O repertório de produtos foi só aumentando e, em 1980, a razão social da Fábrica de Acolchoados Maringá, que produzia também colchões, colchonetes, travesseiros, entre outros, mudou para F.A. Maringá. 

Sucessão familiar 

A empresa é gerida pela segunda geração e começa a receber os jovens da terceira. A primeira sucessão começou nos anos 2000. O processo, que incluiu também os gestores da primeira geração, foi conduzido por um consultor que aplicou a metodologia mais moderna disponível à época. “Ao contrário do que muitos pensam, a empresa familiar não está fadada a desaparecer ao longo das gerações. Muitos pais entendem que a sucessão é o filho continuar o negócio. Para mim, a sucessão é manter a cultura empreendedora. Para isso é preciso entender os jovens, que podem querer mudar o ramo do negócio, mas mesmo assim continuar sendo empreendedores”, explica o superintendente, Luís Fernando Ferraz.

A irmã de Luís Fernando, Silvana, do Conselho de Família da empresa, habilidosa na arte da mediação, corrobora e acrescenta: “Com valores como respeito, honestidade, confiança e lealdade, as empresas familiares têm vida longa!”. 

Desde 1986 sempre houve um membro da família Ferraz na diretoria ou no Conselho da ACIM. “A entidade me ajudou muito quando estive à frente da Associação Brasileira da Indústria de Colchões (Abicol). Meu pai prezava o associativismo e por isso a F.A. Maringá se associou à ACIM logo nos primeiros anos de existência”, conclui Luís Fernando.

Escritório Central 

O empresário Hermínio Arduin, proprietário do Escritório Central de Contabilidade, começou a trajetória profissional quando era adolescente e chegou à cidade vindo do sítio com a família. Logo arrumou um emprego numa cerealista. O rapaz era tão esforçado que os próprios patrões se encarregaram de arrumar um novo emprego para ele quando a cerealista fechou. 

Na função de contínuo no Escritório Central, associado à ACIM desde 1967, o empresário fazia de tudo. Não demorou também para que os proprietários do escritório dessem mais responsabilidades para o funcionário competente e dedicado. “Estava no escritório há pelo menos quatro anos quando um dos donos, o Paulo Madeira, me disse: ‘você vai cuidar do financeiro’. E dali em diante me tornei sócio”.

Em 1975, Arduin comprou a parte de Madeira e convidou o irmão Jair para fazer parte do negócio. Antes disso, em 1970, ele se formou técnico em Contabilidade e sete anos depois concluiu a gradução na Universidade Estadual de Maringá. 

“O escritório inicialmente ficava na avenida Brasil, e depois na avenida Herval. Até que nos mudamos para o endereço atual na avenida Carneiro Leão, onde estamos há 30 anos. Fomos os primeiros a comprar imóveis nesse prédio, onde temos duas salas”, explica Hermínio Arduin.

De pais para filhos 

Jair faleceu em 2006, mas os filhos dele, Juliano e Simone, se formaram em Contabilidade e trabalham no escritório, ao lado de Ricardo, filho de Hermínio e primogênito da família que atua no escritório desde 1993, quando tinha 16 anos. “Não houve uma sucessão formal, nossos filhos foram assumindo funções naturalmente”, diz Hermínio, que conta com o apoio de décadas da irmã Natalina Maria Arduin Moriwaki. 

A família que trabalha unida enfrentou desafios como crises e planos econômicos, o aumento da concorrência e a urgência da informatização. “Nesta trajetória a ACIM foi importante. No começo usávamos a estrutura da associação até para tirar fotocópias. E até hoje podemos contar com palestras, treinamentos, orientação, enfim um suporte indispensável”, conclui o empresário.

Cocamar 

O Paraná é um estado que tem o cooperativismo no DNA, e uma das mais fortes cooperativas do estado nasceu em Maringá, na década de 1960. Naquela época, os cafeicultores produziam e vendiam sem organização. O resultado era uma grande oferta de produto e preços baixos. Não raro, o governo queimava estoques para regular o mercado. E o agricultor lucrava ainda menos por causa dos intermediários. “O produtor rural não tinha acesso à informações de mercado e desconhecia o preço real de uma saca de café”, conta o presidente da Cocamar, Divanir Higino.

Em busca de uma solução, o Banco do Brasil, credor de agricultores sem perspectivas de saldar os débitos, foi autorizado a articular a organização de cooperativas. A Cocamar surgiu, pode-se dizer assim, na agência do Banco do Brasil que ficava ao lado da antiga rodoviária, sob a gerência de Milton Mendes, que convidou agricultores e deu início à fundação. “A existência da Cocamar, nos seus primeiros anos, ajudou a organizar a produção regional, passando a receber, beneficiar, padronizar e comercializar o café com estrutura própria, sem a presença de atravessadores”, diz Higino.

Desafios

O primeiro grande desafio foi enfrentar a crise da cafeicultura. A cooperativa criada para congregar cafeicultores acumulava dívidas.

Em 1965, a diretoria da Cocamar foi destituída e a intenção do Banco do Brasil era pelo encerramento das atividades. Mas a decisão foi pela diversificação e uma nova diretoria adquiriu uma usina de beneficiamento de algodão. O retorno financeiro foi tão positivo que uma segunda usina foi instalada. A partir daí a diversificação foi intensificada. A Cocamar investiu na industrialização de produtos como a soja e assegurou presença forte no segmento varejista.

Outro grande desafio veio na década de 1990, quando o Brasil e o mundo passaram por graves crises econômicas. Neste período, a Cocamar foi reestruturada sob a presidência de Luiz Lourenço, que é atualmente presidente do Conselho de Administração. 

Sucessão 

A sucessão em cooperativas é prevista em estatuto e o Conselho de Administração é eleito a cada quatro anos. Em 2014, a Cocamar inovou ao implantar a gestão profissional, nos moldes do cooperativismo de crédito. 

Com bases sólidas, alcançou números impressionantes: mais de uma centena de unidades de atendimento no Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, com 16,5 mil cooperados. A previsão de faturamento este ano é de R$ 11,3 bi, aumento de 10% em relação a 2021.

A Cocamar é associada à ACIM desde 1969 e, por sua própria natureza, aposta no associativismo como pilar da economia regional. 

“Por isso, historicamente, a Cocamar participa ativamente da vice-presidência, além de estar entre os seus mais antigos associados em atividade”, conclui Higino.

Conterpavi

O caminho para o progresso de uma cidade precisa ser literalmente pavimentado. Uma das primeiras demandas de uma comunidade ou bairro quando se forma é o asfalto. É por isso que hoje, em Maringá, a lei obriga que os novos loteamentos sejam liberados com infraestrutura pronta.

Mas não era assim em 1964, e havia muito trabalho a ser feito quando naquele ano surgiu a Conterpavi Construções Terraplenagem Pavimentações Ltda.

O fundador foi o italiano Giuseppe Leggi, que nasceu em Roma e chegou ao Brasil em 1951. Em 1963, Giuseppe veio a Maringá para cobrar a dívida de aluguel de uma máquina e na rápida passagem pela cidade se encontrou com o prefeito João Paulino. No encontro o prefeito convidou o empresário a se estabelecer em Maringá e da proposta surgiu a Conterpavi, um ano mais tarde.

Giuseppe morreu em 1996 e a empresa passou a ser administrada pela esposa, Maura Schiavão Leggi, até hoje a única proprietária, conta o filho do casal, o engenheiro civil Giuseppe Leggi Junior, responsável pela área técnica. “É uma história de trabalho e dedicação à cidade. E a ACIM, que defende o interesse de Maringá, faz parte desta história. Somos associados desde 1967”, diz o engenheiro.

Avenida Colombo 

A assinatura da Conterpavi está em muitas das principais avenidas de Maringá, como a Colombo. Outras vias essenciais para a cidade e pavimentadas pela Conterpavi foram o entorno do Parque do Ingá e Bosque 2, avenidas Juscelino Kubitschek, Cerro Azul, Carneiro Leão, Paraná e 19 de Dezembro, além de uma das pistas da avenida Brasil, quando o paralelepípedo foi substituído por asfalto. Isso sem contar a pavimentação de inúmeros bairros e do crescimento da cidade.

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