“O cliente deve ser valorizado sempre, especialmente em tempos de internet”

Há três décadas o letreiro vai se modernizando na fachada do imóvel na Travessa Júlio de Mesquita Filho, mas sempre com a mesma inscrição: Aqui Agora. O negócio, que começou em 1994 com duas portinhas, prosperou e hoje chama atenção pela imponência no centro de Maringá, após uma reformulação iniciada nos anos 2000. É obra do empresário Rogério Silveira, que ao trocar Umuarama pela Cidade Canção, trouxe na bagagem o espírito empreendedor do pai. “Dizem que a fruta não cai longe do pé. Meu pai ensinou que precisamos trabalhar duro e com honestidade. Foi o que fiz”, diz Silveira. O empresário também é proprietário do Chalé dos Lagos Eco Resort, inaugurado há dois anos em Mandaguaçu, e do Terminal Shopping, galeria com 35 lojas em funcionamento há menos de um ano na esquina da rua Joubert Carvalho e Júlio Mesquita. 

Pela trajetória, Silveira recebeu o prêmio Empresário do Ano de 2024, concedido pela Acim, Sindicato dos Lojistas do Comércio Varejista e Atacadista de Maringá e Região (Sivamar), Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e Associação Paranaense de Supermercados (Apras). Conheça mais sobre esta trajetória:

Como escolheu o caminho do empreendedorismo? 

Meu pai sempre teve comércio, primeiro de calçados e depois de confecção. Praticamente nasci dentro de uma loja e sempre prestei atenção nas conversas e nas atitudes do meu pai. A princípio queria ser jogador de futebol, mas aos 18 anos, após servir o exército, decidi empreender. Comecei com uma pequena loja de discos em Umuarama. Depois, em 1990, abri uma de confecção, porque era um setor com o qual tinha familiaridade. Era uma época de inflação alta e, inspirado em outro lojista, adotei um modelo de negócio que deu certo. Colocava uma margem não tão grande de lucro e a mercadoria ‘girava’. Tanto que a cada 15 dias tinha que buscar mercadoria. Isso me motivou e pensei: acho que me encontrei. Aos 23 anos, casei, vendi a loja em Umuarama e mudei para Maringá. Antes, tinha aberto uma Aqui Agora em Cascavel, em sociedade com o meu irmão, e estava procurando outra cidade para uma nova unidade. 

Como surgiu o Aqui Agora? 

Certo dia eu estava pintando um ponto que tinha alugado, que já tinha sido várias outras lojas, e chegou uma senhora e perguntou: o que vai ser aqui agora? Na hora respondi: Aqui Agora Confecções. Na época tinha um programa de notícias na TV que chamava ‘Aqui Agora: a verdadeira arma do povo’. Pensei: vou colocar Aqui Agora: a verdadeira loja do povo. 

Qual foi ou tem sido o maior desafio nesta trajetória?

O maior desafio do setor de confecções é a moda. O segredo está em acertar na compra e, para isso, é preciso estar antenado. Se comprar bem, automaticamente vende bem. Uma vez apostei no inverno e praticamente não vendeu porque não fez frio. Tive que me desfazer de bens para pagar os fornecedores. Por outro lado, você tem que ter o produto para atender o cliente quando o tempo muda repentinamente. Fez frio, tem que ter luva e touca. Também precisamos entender as datas ao longo do ano. Em maio, por ser Dia das Mães, é uma época boa para o comércio. Em dezembro é fantástico, porque as pessoas saem para comprar presente. Em outros meses é preciso fazer promoções para movimentar as vendas. Também busquei produtos inovadores, inspirados em lojas de departamentos como Pernambucanas, Riachuelo e Renner. 

Qual é o caminho para a longevidade no varejo?  

O caminho passa por ter um ponto estratégico. Ter bom relacionamento com clientes, fornecedores e colaboradores. Temos clientes que vinham na loja quando crianças com os pais. Estar atento à moda e às compras. Também é preciso ter um bom preço, ter produtos de qualidade, fazer divulgação e, especialmente, ter um bom atendimento. O cliente deve ser valorizado sempre, especialmente em tempos de internet. O varejo é muito difícil. Tem que arregaçar as mangas e fazer com amor. Se não fizer com amor, nada dá certo. Já abri lojas que deram certo, outras não, mas sempre puxei para mim a responsabilidade. Não é culpa do gerente, não é culpa do funcionário. Não é culpa da economia. A culpa é sua. Tem que chamar a responsabilidade porque é você que tem que ver o que está acontecendo e estudar o seu negócio, fazer girar. Tem várias formas de fazer isso, mas às vezes é preciso pagar um preço e nem todos estão dispostos. 

Qual o futuro do varejo frente ao universo online? 

O comércio de rua sempre vai existir, mesmo com as vendas online, principalmente no ramo da confecção. Até pensei várias vezes em montar um e-commerce, mas a maioria dos nossos clientes, que têm de 30 a 70 anos, prefere o calor humano do atendimento físico. Tem muita loja crescendo no varejo por conta disso, desta preferência do consumidor por um atendimento exclusivo que a internet não tem. Para mim a loja física é uma paixão. 

O que o motivou a investir no Terminal Shopping? 

Precisávamos de mais movimentação aqui no centro, mais lojas. Aí pensei: vou fazer uma galeria. O intuito foi trazer mais pessoas dos bairros e dar opção para quem quer montar o próprio negócio, mas não conseguia porque o custo é alto. O Terminal Shopping tem uma questão social de contribuir para o crescimento do próprio comércio da cidade. Estou há 30 anos aqui e vejo que está tendo um descaso com o centro. Então, com ajuda de um parceiro, investimos em um espaço com praça de alimentação bacana, lojas para atrair quem passa pelo terminal e, consequentemente, ajudar no crescimento de negócios desta região.

O senhor diversificou os negócios entrando no ramo de turismo investindo no Chalé dos Lagos Eco Resort. O que o motivou? 

Foi por acaso: queria um lugar para ir aos fins de semana e plantar. Gosto de pescar e lá é rico em água, tem represas. Morei dois anos lá e neste período gostava de receber amigos. No dia em que comprei a chácara já pensei que seria um lugar lindo para fazer uma pousada. O Chalé dos Lagos é um vale. No inverno parece que você está no sul. Fiz a primeira casa, um chalé para dormir com a minha família, e ele ficou bonitinho num local bacana. Daí falou o lado empreendedor, vi a opção de investir num resort ou pousada. Ficamos quatro anos construindo, cuidando de cada detalhe até ser inaugurado em 2022. A região de Maringá ganhou um lugar aconchegante que nos dá rentabilidade. 

O senhor ainda reserva parte do tempo para se dedicar a causas sociais. Por quê? 

Sou de uma família católica e meu pai sempre me ensinou a dividir. Lembro que ele ajudava crianças com almoço, jantar e principalmente roupas. Ele ajudava muito a igreja também, e segui o exemplo dele. Gosto de ajudar.  

O que ainda projeta para o futuro profissional e pessoal? 

Não tenho intenção de me aposentar, vou trabalhar até Deus me chamar, mas devo desacelerar com o tempo. Quero também passar para frente o conhecimento adquirido ao longo destes anos. A escola de vida que tive foi bacana, aprendi com as pessoas e quero passar isso para quem precisa, porque com conhecimento é possível diminuir os erros. 

Como recebeu a notícia do prêmio de Empresário do Ano? 

Quando recebi a ligação do Barbieri, presidente da Acim, fiquei feliz e ao mesmo tempo em choque. Sei da minha trajetória como empreendedor, mas este prêmio também enaltece o trabalho da minha equipe de colaboradores. Essa homenagem é fantástica. Também aceitei pensando em representar todas os comerciantes que encaram diariamente inúmeros desafios. É gostoso ter reconhecimento, especialmente quando a gente olha para trás e vê tudo que passou. Por isso o sentimento é de muito carinho, honra e gratidão.

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