Capital de giro, o combustível das empresas; é preciso planejamento

Selic elevada pressiona custo do crédito e exige preparo financeiro; especialistas orientam sobre planejamento, linhas de crédito e quando o empréstimo pode ser um bom negócio

Diego Oliveira, consultor: “o erro não está no crédito, mas na forma como ele é usado. Se for tomado às pressas, sem análise de impacto no caixa, vira um problema”

Muito se fala em lucro quando o assunto é saúde financeira de uma empresa. No entanto, existe um fator tão vital quanto, e por vezes  negligenciado: o capital de giro. Ele é o combustível que mantém a engrenagem, garantindo liquidez entre o que é planejado e o que de fato entra e sai do caixa.

Mesmo empresas lucrativas podem enfrentar dificuldades, caso não tenham recursos para cobrir despesas imediatas, como salários, fornecedores e reposição de estoque. Isso ocorre, geralmente, por um descompasso entre os prazos de pagamento e de recebimento. É o típico caso de quem compra à vista e vende a prazo.

O consultor da Escola de Negócios da Acim, Diego Oliveira, orienta: “o capital de giro garante que a empresa continue operando até que o lucro se converta, de fato, em dinheiro disponível no caixa”. Segundo ele, o problema se agrava quando o prazo de recebimento se estende. “Nesse intervalo, se a empresa não tiver fôlego financeiro, acaba recorrendo a empréstimos caros, que consomem a margem e podem comprometer a operação”, destaca.

A necessidade de capital de giro varia. Fatores como modelo de negócio, ciclo de produção, prazos de pagamento e recebimento, volume de estoque e cenário econômico influenciam. Uma fórmula utilizada para estimar é: despesas médias diárias multiplicadas pelo ciclo financeiro. Por exemplo, uma empresa com R$ 150 mil de despesas mensais, cerca de R$ 5 mil por dia, e ciclo financeiro de 60 dias, precisará de R$ 300 mil de capital de giro. Mas o consultor alerta: “claro que é importante ter uma reserva, mas também é preciso cuidado para não ficar dinheiro demais parado sem propósito. O ideal é buscar um equilíbrio entre segurança e aproveitamento dos recursos, e isso exige planejamento e sensibilidade”.

Entre os principais erros está a falta de acompanhamento dos principais indicadores financeiros, como a Demonstração de Resultado do Exercício (DRE), que mostra se a operação é realmente lucrativa, e o fluxo de caixa, que revela o movimento real do dinheiro. “Sem esses dois controles, a empresa opera às cegas”.

Para ele, tomar crédito não é necessariamente ruim. “O erro não está no crédito, mas na forma como ele é usado. Se for tomado às pressas, sem análise de impacto no caixa, vira um problema. Mas quando é estruturado, com finalidade e retorno definidos, pode ser uma alavanca para o crescimento”.

O consultor lembra que existem fontes além dos bancos tradicionais, como cooperativas, bancos de desenvolvimento, fintechs e até fornecedores. “É importante avaliar prazos, taxas, carência e alinhar o tempo de retorno do investimento. Outro fator é o cenário macroeconômico. A inflação aumenta os custos antes que os preços possam ser ajustados, e os juros altos encarecem o crédito. A empresa precisa se antecipar. Isso passa por negociar prazos com fornecedores, incentivar pagamento à vista dos clientes, antecipar recebíveis e, principalmente, construir uma reserva”.

A reserva deve ser tratada como despesa fixa. “Não dá para esperar sobrar dinheiro para guardar. É preciso reservar todo mês, de forma intencional, mesmo que seja pouco. Isso faz a diferença em momentos de dificuldade ou de boas oportunidades”, pontua.

Oliveira reforça também a importância de profissionalizar a gestão financeira. “No caso do consultor financeiro, nosso papel é ouvir, analisar dados, entender o modelo de negócio e construir soluções com o empresário. Com planejamento, disciplina e visão, é possível transformar o setor financeiro em um motor de crescimento sustentável”.

 

Parceria que amplia possibilidades

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“Atuamos com recursos de 13 instituições financeiras nacionais e internacionais”, diz Ronaldo Ribas da Silva, do BRDE, que firmou convênio com Acim

A Acim firmou parceria com o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) para oferecer crédito com condições diferenciadas aos associados. São linhas que atendem desde capital de giro a projetos de expansão, compra de equipamentos, inovação, sustentabilidade e infraestrutura. As operações podem ser diretas para projetos acima de R$ 450 mil, ou indiretas por meio de cooperativas como Sicredi, Cresol e Sicoob, que operam com valores menores. Todos os perfis de empresários e produtores rurais podem ser atendidos, com análise individualizada.

“Atuamos com recursos de 13 instituições financeiras nacionais e internacionais, como BNDES, Finep, Fungetur, Banco Europeu de Investimentos, Banco Mundial, Agência Francesa de Desenvolvimento e NDB -banco dos Brics, entre outros. Cada projeto tem uma necessidade, por isso é essencial que o empresário procure a Acim para ser orientado de acordo com seu caso”, explica o prospector de novos negócios, Ronaldo Ribas da Silva.

Um dos principais diferenciais é o longo prazo de pagamento. Em projetos de expansão, sustentabilidade, saúde e infraestrutura é possível obter até 25 anos, com carência de até cinco anos. As condições são ainda mais vantajosas para associados da Acim, que contam com orientação, apoio técnico durante o processo e não têm cobrança de Tarifa de Cadastro.

O BRDE tem se destacado no apoio a setores estratégicos, como inovação, energia sustentável e turismo. “Temos uma atuação destacada como Banco Verde, apoiando projetos sustentáveis com recursos internacionais que oferecem alternativas com custos atrativos. Por exemplo, utilizamos recursos do NDB, o banco dos Brics, com custo de 4,6% + EURIBOR 6M (2,1%a.a) ao ano mais a variação cambial do euro, e do Fundo Clima, via BNDES, com taxas fixas entre 10% e 13% ao ano, dependendo do projeto e porte”, detalha.

Na área da inovação, o banco é o maior repassador de recursos da Finep no Brasil, mesmo atuando apenas na região Sul, e investe em FIPS que investem em startups. No turismo, atua com recursos do Fungetur, beneficiando bares, restaurantes, hotéis e empreendimentos cadastrados no Cadastur. Outro destaque são os programas voltados para mulheres e jovens empreendedores. 

O processo é 100% digital, disponível no site e aplicativo do banco. Após o envio da solicitação, o sistema apresenta a lista de documentos, como certidões fiscais, contrato social, balanços, DREs e dados dos sócios com mais de 10% de participação.

“Acompanhamos todos os projetos. Como liberamos recursos em etapas, é preciso comprovar os investimentos para seguir com as liberações. Isso garante que o crédito seja usado como planejado e fortalece a confiança do banco no projeto. Nosso papel é ajudar a transformar boas ideias em bons projetos”.

 

Crédito ideal 

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“Às vezes, vale preservar o caixa e financiar o investimento com boas condições. O importante é que isso seja uma decisão estratégica, não um improviso”, alerta Suelen Magnoni Megda, do Sicoob

No Sicoob, o capital de giro é tratado com a devida importância: como peça-chave para manter a operação das empresas em equilíbrio. “Essa modalidade de crédito é fundamental para manter estoques, pagar fornecedores e garantir o funcionamento da empresa”, afirma a gerente de Relacionamento, Suelen Magnoni Megda. A cooperativa tem uma agência na sede da Acim com condições exclusivas para associados.

O Sicoob oferece linhas com carência de até seis meses e prazo de até 60 meses, dependendo da modalidade. Estão disponíveis linhas como Pronampe, Fampe, crédito para mulheres empresárias e capital de giro geral, além de condições especiais para investimento, obras e aquisição de equipamentos.

“A escolha da linha leva em conta a necessidade da empresa, prazo e impacto que essa operação terá no fluxo de caixa. É essencial saber o motivo do crédito, o retorno e se a empresa tem capacidade de pagamento. Nossa equipe avalia o perfil do cooperado para oferecer a melhor solução e suporte em todas as etapas”.

Na dúvida entre usar uma reserva própria ou buscar crédito, Suelen defende o planejamento: “às vezes, vale preservar o caixa e financiar o investimento com boas condições. O importante é que isso seja uma decisão estratégica, não um improviso”.

 

Serviço:

Diego Oliveira, consultor da Escola de Negócios da Acim: @o.analistafinanceiro 

BRDE: www.brde.com.br

Sicoob: www.sicoob.com.br/web/sicoobmetropolitano

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