A moda traz otimismo ao pós-pandemia

Cores alegres voltam a reinar, mas roupas continuam confortáveis como herança da quarentena

Falar de moda pós-pandemia pede delicadeza. É preciso entender a moda como reflexo do que vivemos, como forma de se sentir bem e também como um negócio de sucesso que gera 1,5 milhão de empregos diretos no Brasil. Em meio ao caos trazido pela covid-19 pensar em combinar roupa poderia parecer, em um primeiro momento, frívolo, sem sentido. Fizemos uma única exigência à indústria do vestuário: conforto! E ela respondeu bem, com tecidos molinhos e confortáveis, modelagens amplas e combinações fáceis.

Mas e agora? Começamos a enxergar a tão esperada luz no fim do túnel e tentamos voltar ao que acreditávamos ser a nossa vida normal. Neste cenário, começam as apostas por quais caminhos o universo da moda deve seguir. E, por consequência, o que estará nas vitrines para nos encantar nas próximas estações. Uma coisa é certa, os consumidores estão desejando mais do que roupas, querem propósitos e consciência das marcas. Além de cortes, texturas e cores devem se somar conceitos importantes como diversidade, responsabilidade social e sustentabilidade.

Durante nossa interminável quarentena, pijamas transformaram-se em uniforme, a malha reinou e as cores básicas e sóbrias invadiram os guarda-roupas. O que se espera agora pode ser chamado de otimismo, um pouco mais de graça e tons vivos, como se a alegria voltasse a reinar ao mesmo passo em que a vacinação avança. A estreia dessa nova moda será nas coleções primavera-verão 2022 e pode comemorar: o conforto continua em cena. Porém, as cores chegam vibrantes.

Rosa, amarelo e azul ressurgem vivos e chiques com nomes finos como orchid flower, mango sorbet e atlantic blue. Mas a suavidade dos candy colors (tom pastel) também compõe a paleta da estação do calor, assim como brilhos para gostos ousados e o butter (tom manteiga) para os sofisticados. Na modelagem, as mangas seguem bufantes, na verdade um pouco mais bufantes. O cropped (top curto) também continua em alta, com uma carinha de anos 1990, fazendo sucesso sendo usado também sobre camisas e vestidos.

Heranças dos tempos de quarentena, os trabalhos manuais trazem para o próximo verão o crochê como astro principal. A trama aparece em bolsas que ganham status de protagonistas nos looks. E não é só isso, batas e vestidos ganham os quadriculados que antes eram reservados às colchas das vovós. Como se o que antes era reservado à intimidade dos quartos e salas invadissem as ruas, uma perfeita analogia com o que sentimos nos dias atuais. Quem não deseja sair de casa e conquistar o mundo novamente?

Dayse Hess é jornalista e especialista em Moda

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