A saga das empresas que, há décadas, se reinventam

Especial ACIM 70 anos: de veículos e bebidas a transporte rodoviário e serviços de contabilidade, conheça a história de associados que contribuem para o desenvolvimento de Maringá

Nádia Felippe, da Somaco S/A, que foi a segunda distribuidora Volkswagen do norte do Paraná; empresa de 70 anos reforça o leque de serviços de manutenção, estética, peças e acessórios

Um documento escrito à mão é um dos registros mais antigos dos primeiros admitidos à Associação Comercial e Empresarial de Maringá, trazendo as primeiras empresas associadas. E nesse documento o número 25 é a razão social Somaco S/A que àquela época, em maio de 1953, ficava no mesmo endereço atual: a praça José Bonifácio, 121, em Maringá.

A empresa, fundada em 1952 pelos pioneiros Manoel Francisco dos Santos e Eliseu Gonçalves Elias, começou como um posto de combustíveis e se tornou uma revenda de caminhões e máquinas agrícolas. Foi em 1957, com a mudança de ramo do negócio, que passou a ser distribuidora da Volkswagen, comercializando os modelos Fusca e Kombi que fazem parte da memória afetiva dos brasileiros. 

Naquela época eram, em todo o país, 66 distribuidoras. A Somaco se tornou a de número 67 e a segunda no norte do Paraná – hoje são cerca de 500. Cinco anos depois, em 1962, o médico e pioneiro maringaense Michel Felippe comprou a empresa e a razão social mudou para Somaco S/A Comércio de Automóveis, relembra a empresária Nádia Felippe Soares, filha de Michel.

A empresa cresceu e atende gerações de clientes ao aliar a tradição do nome ao bom atendimento na venda de carros novos e seminovos. Até que veio a pandemia de covid, que trouxe um dos maiores desafios para a concessionária de veículos em décadas de existência. A exemplo da maioria dos negócios, a equipe da Somaco repensou o modelo de atendimento e vendas. As mudanças tecnológicas que vinham sendo implantadas nos anos anteriores precisaram ser incorporadas a toque de caixa. “Clientes que iam à concessionária para ver de perto o carro que queriam comprar passaram a buscar informação pelas redes sociais, site e canais de atendimento online da empresa. As vendas eram fechadas 100% de forma digital. O cliente só aparecia na loja para retirar o carro”, diz Nadia.

Desde que se tornou revendedora Volkswagen, a Somaco não mudou o foco do negócio, mas há uma mudança em curso na esfera comercial. A pandemia e a crise de semicondutores fizeram reforçar o leque de serviços direcionando os esforços para os setores de manutenção, estética, peças e acessórios. 

Associada há quase 7 décadas

Em quase 70 anos como associada à ACIM, a Somaco se beneficiou dos inúmeros treinamentos, workshops, palestras e consultorias oferecidos pela entidade. É um suporte que facilita o planejamento.  “Sabemos que podemos contar com o apoio da Associação Comercial, mas entendo que o papel vai muito além do suporte empresarial, a entidade promove ações sociais, criando um senso único de cidadania”, reforça a empresária, que é presidente do Instituto ACIM.

Atualmente, a empresa emprega mais de 60 funcionários, foi eleita neste ano pela Volkswagen entre as três melhores concessionárias do Brasil e é certificada ISO 9001.

Bebidas Virginia

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Waldemar, Eduardo e Paula Buosi, da Comercial de Bebidas Virginia: “estamos na segunda geração. A sucessão familiar se deu sem o planejamento teórico disponível hoje em dia”, conta Eduardo

Voltando ao documento que listava os primeiros associados da ACIM, na sequência da razão social Somaco S/A, no número 26 está a Comercial de Bebidas Virginia Ltda, localizada na avenida Mauá, 1.636, também admitida em maio de 1953. O fundador é o pioneiro Waldemar Buosi, que chegou a Maringá em 1949 para visitar um amigo e acabou se encantando com a Cidade Canção. Aqui Buosi descobriu um filão: vender cachaça aos lenhadores que trabalhavam na abertura das matas. As garrafas da bebida eram embaladas em palha e transportadas em carroças.

Em 1951, Waldemar fundou a Indústria de Bebidas Virginia. O nome foi uma homenagem à mãe, Virginia. Com o passar dos anos, a indústria se tornou distribuidora e o nome mudou para Comercial de Bebidas Virginia. Em 1961 se tornou a primeira e única distribuidora da Brahma até hoje em Maringá. Em 2007, a empresa maringaense adquiriu as marcas Skol e Antarctica e nasceu a Distribuidora de Bebidas Virginia, também com a entrada de mais um sócio da antiga Revenda Paccola, de Cambé. A distribuidora tornou-se revendedora exclusiva da Ambev para Maringá e mais de 60 cidades.

Sucessão familiar 

O patriarca Waldemar, falecido há dez anos, teve três filhos: Paula, Waldemar Filho e Eduardo. Os dois últimos começaram cedo a bater cartão na empresa: aos 15 anos eles já tinham carteira de trabalho. Aos 24 anos, Waldemar Filho assumiu a gerência, Eduardo é diretor comercial e Paula tem sob seu comando a área de varejo. “Estamos na segunda geração. A sucessão familiar se deu sem o planejamento teórico disponível hoje em dia. A gente entrava na empresa e nosso pai dizia: ‘começa a trabalhar e não atrapalha’”, lembra Eduardo. 

Nos primeiros anos, o patriarca entendeu que precisava de representatividade e por isso foi um dos primeiros a se associar à recém-criada Associação Comercial. Quase 70 anos depois daquele maio de 1953, a empresa da família Buosi ainda faz parte do quadro de associados. “É uma questão de pertencimento. Meu pai sempre foi muito presente na sociedade maringaense”, diz Waldemar Filho.

A distribuidora aposta em pilares como a prestação de serviço de qualidade e a sustentabilidade: foi a primeira da região a ter na frota caminhões elétricos. Na prestação de serviço, a meta é chegar com mais eficiência e rapidez aos mais de sete mil clientes. “Se prometo entregar o produto em 24 horas, preciso cumprir”, detalha Eduardo. É um pragmatismo que fortalece um segmento tão importante para a economia brasileira.

Escritório Gomes de Contabilidade

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José Gomes Ferreira, a esposa, Luzia, e os filhos Rômulo e Lizandra: além da família, escritório emprega 65 pessoas

Com apenas 13 anos, o mineiro José Gomes Ferreira, havia cinco vivendo em Maringá, decidiu bater à porta de um escritório de contabilidade. Gomes era o único filho homem de uma família chefiada pela mãe – o pai era falecido – e composta ainda por oito irmãs.

O menino, que tinha vontade de aprender, bateu à porta certa, porque o dono do escritório era um patrão cheio de vontade de ensinar. Poucos anos depois, no final de 1971, quando o escritório foi vendido, o jovem tinha uma carteira própria de clientes que faziam todo o ano a declaração do Imposto de Renda (IR). Além disso, Gomes tinha tido a oportunidade de aprender com o contador Geraldo De La Roque, uma das cabeças que implantaram o IR no Brasil.

No começo de 1972, nasceu o Escritório Gomes de Contabilidade. Naquela década os contadores eram chamados pelos clientes de guarda-livros. “Geralmente quando um contador participava de uma entidade de classe, ele ocupava a função de tesoureiro”, conta.

Aberto com apenas um funcionário, o escritório tem hoje 65 e está em processo de sucessão familiar. Os filhos de Ferreira, Rômulo e Lizandra, estão assumindo funções na empresa. A esposa do empresário, Luzia, atua há vários anos na gestão de Recursos Humanos, Administrativo e Financeiro. E junto à família, Gomes vê com otimismo o futuro da atividade. “O contador não é importante apenas para as questões fisco-tributárias, mas também para a consultoria contábil. Por exemplo, numa negociação de compra e venda é o contador que determina o valuation, ou seja, o valor do negócio. Por isso, acredito que o futuro é promissor”, profetiza Gomes. E para confirmar, a empresa está estruturando uma nova marca: a ‘Gomes Mais’, que significa mais contabilidade, mais serviços e mais acolhimento.

Fundador de entidades

Não foi apenas no setor contábil que Gomes atuou, o pioneiro contribuiu para a mudança participando ativamente de entidades como o Rotary Club Maringá e patrocinando ações culturais. “Em 1975 ajudei a fundar a Associação dos Escritórios de Contabilidade, atual Sincontábil, onde fui presidente de 1981 a 1984. Além disso, ajudei a fundar a Federação dos Contabilistas e do Sescap, Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis. E participei ativamente da realização das convenções de contabilistas entre 1977 e 1985”, lista.

Foi com o espírito de participação social que ele entrou para a ACIM, onde permanece. “Vejo a Associação Comercial como uma importante agência de fomento, na defesa de Maringá em várias frentes, por isso continuo associado”, completa.  

Viação Garcia 

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José Boiko e Estefano Boiko Junior, do Grupo GBS, formado por quatro empresas, incluindo Garcia e Brasil Sul; frota tem 800 ônibus, que transportam 21 milhões de passageiros anualmente

Em 1934, anos antes da fundação de Maringá, nascia no norte do Paraná a Viação Garcia, pertencente a Mathias Heim, um mecânico alemão, e Celso Garcia Cid, um jovem imigrante espanhol. Em 1937, Heim deixou a empresa e no lugar dele entrou outro imigrante espanhol, José Garcia Villar.

No dia 1º de fevereiro de 1938, foi criada a Empresa Rodoviária Garcia & Garcia, uma das associadas mais antigos da ACIM. A história do desenvolvimento do norte do Paraná é indissociável da trajetória da Viação Garcia, a quem coube transportar pioneiros, imigrantes, colonizadores, trabalhadores e empreendedores que decidiram fincar os pés no ‘novo Eldorado’. 

Em 2010, o empresário Mário Luft comprou a companhia, que quatro anos depois foi vendida para a Brasil Sul. O negócio resultou na formação do Grupo GBS, administrado desde então pelos empresários José Boiko e Estefano Boiko Junior.

A Viação Garcia enfrentava uma grave crise financeira, quando completou 80 anos. Naquela época, a Brasil Sul, com apenas dez anos, estava em franca ascensão. A fusão das duas companhias se deu de modo pouco convencional: a menor adquiriu a concorrente. A tradição aliada à modernidade resultou num caso de sucesso no setor de transporte rodoviário. “Os desafios da fusão foram, antes de mais nada, equacionar as finanças da empresa, já que a Garcia tinha um passivo elevado naquele momento. Também foi um obstáculo integrar as culturas das duas empresas, até então concorrentes. Tivemos que vencer certa resistência entre os colaboradores para compatibilizar a gestão”, recorda-se o vice-presidente Boiko Junior.

Neste período, quando foi criado o Grupo GBS, houve uma transformação radical na gestão da empresa. Foram adquiridos 675 ônibus ao custo de R$ 440 milhões. Hoje, a frota de cerca de 800 ônibus é reconhecida como a mais moderna do país.

A empresa conta com dois mil colaboradores e transporta, em média, 21 milhões de passageiros ao ano nos sete estados em que atua. Quatro empresas integram o Grupo GBS: Garcia, Brasil Sul, Princesa do Ivaí e Londrisul. Trata-se do maior grupo do setor na região Sul do país e está entre as cinco maiores empresas brasileiras do setor.

Representatividade 

Para o Grupo GBS, a ACIM tem papel determinante para o setor produtivo de Maringá porque oferece suporte, dá voz aos agentes econômicos e fortalece a economia local. “A Viação Garcia/Brasil Sul é uma filiada tradicional e se sente honrada em integrar a entidade ao lado das maiores forças produtivas da região”, diz Boiko Junior.

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