Comunicação, por definição, é o ato de transmitir e, eventualmente, receber outra mensagem como resposta. Existem vários campos de investigação científica voltados a estudar os fatores/variáveis que podem impactar este processo: Linguística, Semiótica e Análise do discurso são alguns exemplos.

Os avanços trazidos por estas e outras ciências são inúmeros: desde a compreensão de como as culturas podem influenciar na forma como os povos se comunicam até as aplicações voltadas para os interesses mercadológicos, a exemplo de como descobrir como fazer uma publicidade com que determinados segmentos (jovens, mulheres, pais, crianças etc…) se identifiquem com serviços e produtos.

Não é de hoje que empresas e marcas se apoiam nas descobertas destas ciências para embasar planejamentos estratégicos e formas de atuação no mercado e sociedade. Entretanto, mesmo com acesso a um arsenal de conhecimento, em alguns casos as empresas falham no nível básico: a comunicação interna.

Em muitos casos clássicos de uma publicidade ou um comunicado que gerou ruídos com consumidores ou com a sociedade é possível perceber que dentro dessas empresas a comunicação não flui de maneira sustentável. Quantos são os exemplos de campanhas de marketing e comunicação que foram verdadeiros ‘tiros no pé’, justamente porque o que parecia ser uma grande ideia não contou com a colaboração de pessoas cujo feedback seria importante nesse processo (exemplos: propagandas que acabam por representar mulheres, público lgbtqia+ e outros públicos de forma estereotipada)?

Proponho a reflexão: antes de planejar a forma como uma empresa ou marca deve se comunicar com o mercado, não é importante observar como a comunicação flui dentro destes espaços? Não é importante discutir e, se preciso, corrigir dinâmicas que possam prejudicar uma troca saudável de informações, feedbacks e ideias entre as pessoas?

Neste último ano tão turbulento nos apoiamos no poder da tecnologia para garantir a comunicação entre os mais distantes pontos do mundo. Mas será que só a tecnologia basta para garantir uma boa comunicação?

Meu palpite é que para alcançar assertividade é importante garantir que a comunicação seja um processo genuíno de colaboração em duas vias (transmitir e receber), do contrário é só sobre jogar palavras ao vento e contar com a sorte. Foi errando que percebi que a palavra é 50% de quem fala e 50% de quem ouve… Para criar comunicações que impactaram e engajaram determinadas audiências foi preciso conhecer as motivações, desejos, comportamentos e até as dores desses indivíduos. Não é só sobre pesquisa de opinião cheias de perguntas cujas respostas podem ser meros ‘sim’ ou ‘não’. É também sobre conversas francas e sinceras, sobre promover diálogos com a comunidade (começando dentro da empresa), permitindo que os indivíduos participem da conversa quando sentem-se representados ou quando incomodados com qualquer mensagem.

Ao optar por esse caminho é óbvio que muitos tropeços podem surgir. Às vezes, mesmo com as melhores intenções, as comunicações podem cometer equívocos. O importante é agir para corrigir. Talvez não seja à toa que ‘ação’ faça parte de ‘comunicação’. Errar, se desculpar e se posicionar firmemente com ações que promovam mudanças positivas são atitudes que consumidores (e o público em geral) esperam e valorizam. Afinal, o silêncio também fala. Muitas vezes ele até grita. Pode ser um sinal de que dentro das empresas, organizações e marcas o processo de comunicação precise urgentemente de socorro.

Renata Gomes é publicitária, mestre em Comunicação, Cultura e Mídia e atua há mais de uma década como docente universitária e gestora/consultora de comunicação e marketing, desenvolvendo estratégias para marcas, startups, artistas e eventos de música e tecnologia. Integra o time de Marketing & Comunicação da Ingrooves (distribuidora digital musical). No Instagram dá pra achá-la em @renatagomes78

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