Novo futuro para a mobilidade metropolitana

Projeto por vias de alto fluxo ligando Maringá, Sarandi e Paiçandu é fruto de esforços privado, público e envolvimento da comunidade

André Ribeiro, empresário: “essa infraestrutura permitirá a criação de um corredor de transporte rápido e eficiente, conectando Maringá, Sarandi e Paiçandu”

O planejamento urbano enfrenta diversos desafios em todo o mundo, em especial no Brasil, onde a maioria da população reside em áreas urbanas e os locais de moradia, de trabalho e de lazer estão separados espacialmente. Carros, motos e caminhões circulam pelas avenidas, enquanto bicicletas e patinetes disputam ciclovias, calçadas e ruas com os pedestres. 

O crescimento acelerado dos centros urbanos, associado às alterações climáticas e à sustentabilidade, coloca, inevitavelmente, a mobilidade urbana como fator para melhorar a perspectiva nas grandes cidades e adjacências. Neste contexto, múltiplas vias e o transporte coletivo se apresentam como ferramentas importantes para trazer fluidez, sustentabilidade e eficiência nos deslocamentos da população. 

Tanto que há uma mobilização para tirar do papel um projeto de implantação da ligação rodoferroviária entre Sarandi, Maringá e Paiçandu, que concentram mais de 800 mil habitantes e 260 mil veículos. A proposta prevê 7,2 quilômetros de rebaixamento ferroviário e 14 quilômetros de vias rodoviárias marginais, além de 22 viadutos de transposição e duas passarelas entre os dois municípios. Além disso, foram projetados seis tabuleiros e 12 estações-tubo para Bus Rapid Transit (BRT), 126 mil metros quadrados de muros de contenção e duas estações subterrâneas. Também foram estudadas desapropriações e 1,46 milhão de metros cúbicos de bota-fora de entulhos. 

“Estamos falando em viabilizar o rebaixamento da linha férrea passando por toda a área urbana de Sarandi e em viabilizar uma nova rota para veículos de rodagem. Haverá uma avenida paralela à Colombo para distribuir o fluxo de veículos leste-oeste da região metropolitana, que hoje está 99% concentrado na avenida Colombo”, pontua o empresário Jefferson Nogaroli. 

Ao falar sobre a importância do projeto, ele destaca a possibilidade de integração com o transporte rodoviário intermunicipal ou metropolitano existente. “Viabilizando este eixo de transporte rodoferroviário, dá para interligar Mandaguari, Marialva, Sarandi, Maringá e Paiçandu e, com isso, baratear o custo do transporte de passageiros”. 

O empresário André Ribeiro, envolvido na proposta desde a fase inicial, explica que o rebaixamento e expansão da linha férrea existente em Maringá liberará espaço para a construção paralela de vias expressas, ciclovias e estações de transporte público. “O rebaixamento proporcionará vias rodoviárias de alto fluxo. Será uma nova artéria rodoviária metropolitana. Essa infraestrutura permitirá a criação de um corredor de transporte rápido e eficiente, conectando Maringá, Sarandi e Paiçandu e desafogando o trânsito atual, concentrado principalmente na avenida Colombo. Por mais ampla que seja a Colombo, com o fluxo concentrado em um só lugar, dificilmente haverá redução do trânsito, daí a relevância da proposta por meio da diluição dos canais de fluxo na região metropolitana”.

Um dos pontos fundamentais é a previsão de implantação de um sistema BRT, com faixas exclusivas para ônibus e estações modernas, além da promoção da utilização de bicicletas como meio de transporte, com a construção de ciclovias seguras e integradas ao sistema de transporte público.

“A implementação deste projeto trará benefícios para a região, como a redução do tempo de deslocamento, a diminuição da poluição atmosférica e sonora, a revitalização e valorização da ampla área urbana do entorno envolvido no projeto, melhoria da qualidade de vida e o estímulo ao desenvolvimento econômico. Além disso, a criação de um sistema de transporte integrado e eficiente contribuirá para a construção de cidades mais justas e sustentáveis”, observa Ribeiro, que é voluntário da Acim e do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá (Codem), 

O presidente da Acim, José Carlos Barbieri, também vê o projeto como necessário, porque vai impactar na qualidade de vida dos colaboradores de empresas de Maringá que moram nas cidades vizinhas e trará melhorias no fluxo de carros, caminhões, de motos e de pessoas na região metropolitana de Maringá.


Viabilidade

Para que a obra saia do papel, é preciso unir esforços público, privado e envolver a comunidade. Por isso, a sociedade civil se organizou, contando com apoio de entidades, e o contrato do projeto “Linha férrea com implantação de marginais no perímetro urbano de Sarandi/PR e Maringá/PR – EF-369” foi realizado por meio da Acim junto à Infras Engenharia. Para viabilizar o anteprojeto, orçado em R$ 900 mil, foi criado um consórcio entre empresários para a arrecadação do dinheiro. 

O projeto conta com 19 estudos concluídos, entre os quais estão os estudos topográficos, geológicos, hidrológicos, geotécnicos, anteprojetos de iluminação, de pavimentação e orçamento da obra.

A execução está prevista para ocorrer de forma segmentada em três lotes. O primeiro trecho começa na avenida Tuiuti, exatamente no ponto onde se inicia o rebaixamento existente em Maringá e segue até a rua Nave em Sarandi. O segundo lote interliga a rua Nave e a avenida Higienópolis em Sarandi. Por fim, o último trecho fará a ligação entre a avenida Higienópolis até as proximidades da rua José Senhorini. 

Quanto aos recursos para o custeio da execução do projeto, a intenção é que haja articulação política por meio de emendas parlamentares, o que já vem sendo realizado pelas entidades envolvidas. O valor estimado do investimento da obra é de R$ 1 bilhão.

Últimos Artigos

Associado do Mês

Com mais de duas décadas de experiência no setor agro, Rafael Tonello e Volmir Amaral abriram, em junho de 2024,...

Últimos Artigos

Explore os artigos mais recentes sobre os principais temas do setor empresarial.

Nossas Revistas

Explore as revistas mais recentes sobre os principais temas do setor empresarial.