Uma lacuna entre a qualificação e as necessidades do mercado

A taxa de desemprego no Brasil, no trimestre finalizado em abril, atingiu o menor patamar desde 2015. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são 8,5% de desocupados, o que representam 9,1 milhões de pessoas. Ainda que o desemprego esteja em queda, o mercado de trabalho enfrenta outro desafio, a falta de qualificação. 


E vários fatores contribuem para isso. A começar pela baixa escolaridade: em média os brasileiros de 18 a 29 anos tinham, em 2020, escolaridade de 11,8 anos. Mesmo com o avanço em relação a 2012, quando o índice era de 9,8 anos, o país ainda tem muito a melhorar. Aqui, o analfabetismo atinge 6,8% da população com mais de 15 anos, o que é um abismo para a média mundial de 2,6%, conforme estudo do IMD World Competitiveness Center. Na comparação com 64 nações, o Brasil aparece em último lugar em relação à Educação.


Ainda de acordo com o estudo, o país gasta cerca de um terço da média mundial por estudante. Mas quando se compara ao Produto Interno Bruto  (PIB), o investimento é de 5,6%, acima da média de 4,4% das nações da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Ou seja, o Brasil investe percentual considerável da riqueza gerada, mas investe mal. E se os indicadores já não eram favoráveis, na pandemia aumentou a evasão escolar.


Há também um hiato entre o que os estudantes aprendem nos bancos escolares e as necessidades do mercado. Ainda que as grades curriculares sejam frequentemente atualizadas e novos cursos fiquem disponíveis, principalmente na iniciativa privada, a velocidade das mudanças do mercado costuma ser ágil. O desafio é tão grande que as instituições de ensino superior oferecem ambientes de inovação, maratona de programação, feiras de empregabilidade e outras ferramentas para ajudar na oferta de profissionais qualificados.


Também faltam políticas governamentais voltadas a cursos profissionalizantes, que garantem acesso rápido ao mercado de trabalho. Há uma falta generalizada de profissionais: açougueiros, serventes, auxiliares, chão de fábrica, garçons, vendedores, operadores de máquinas, desenvolvedores de softwares, médicos… a lista é grande. é difícil setor ou função que não enfrente o problema de falta de mão de obra atualizada, disponível e preparada. Nem sempre há profissionais prontos para operar máquinas e equipamentos inovadores.


Em meio a este cenário, as empresas oferecem cursos e programas de incentivo ao desenvolvimento da carreira, mesmo diante da rotatividade, novas gerações entrando no mercado com valores e expectativas diferentes e custos elevados para qualificar. 


O desafio é imenso e envolve todos os atores desse processo: profissionais, instituições de ensino e empresas. Mas sem políticas públicas de longo prazo e investimentos sólidos do poder público, será difícil resolver essa equação entre formação de mão de obra e necessidade do mercado.


José Carlos Barbieri é presidente da Associação Comercial e Empresarial de Maringá (ACIM)


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